O Corinthians precisa vencer o Mirassol para escapar da zona de rebaixamento no Brasileirão.Foto: Reprodução da Internet
O Corinthians chega ao confronto com o Mirassol, nesta sexta-feira, às 20h, na Neo Química Arena, pressionado por uma dificuldade que ajuda a explicar sua posição no Campeonato Brasileiro: a baixa eficiência ofensiva. Com 34 gols em 32 rodadas, o time tem o segundo pior ataque da competição e ocupa a 18ª colocação, com 33 pontos.
A equipe precisa vencer para tentar deixar a zona de rebaixamento, mas terá de superar um problema que acompanha a campanha desde o início. A média corintiana é de 1,06 gol por partida, desempenho superior apenas ao da Chapecoense, lanterna do torneio, que marcou uma vez por jogo em média.
O cenário se tornou ainda mais delicado depois da derrota por 3 a 2 para o Vasco, em São Januário, pela 32ª rodada. O Corinthians chegou a virar a partida no segundo tempo, com gols de Gustavo Henrique e Matheus Bidu, mas sofreu dois gols de Marino Hinestroza nos minutos finais. O resultado colocou o clube no Z4 e ampliou o jejum sem vitórias.
Produção ofensiva não acompanha a necessidade
O ataque corintiano marcou 34 vezes no Brasileirão, número distante da produção dos principais candidatos ao título. O Flamengo, líder, tem saldo de gols positivo em 40, enquanto o Palmeiras registra saldo de 34. A comparação evidencia a diferença entre a equipe que luta na parte de baixo e os clubes que disputam as primeiras posições.
A dificuldade não se resume a um único setor. O Corinthians teve problemas para transformar posse, chegadas e oportunidades em gols ao longo da temporada. Contra o Vasco, por exemplo, o time criou situações depois da virada, mas não conseguiu ampliar a vantagem. No fim, acabou castigado pela reação do adversário.
A baixa eficiência também esteve presente nas passagens de Dorival Júnior e Fernando Diniz, que deixaram o comando da equipe. Clarence Seedorf assumiu com a missão de interromper a queda e passou a dar atenção especial à formação ofensiva. Uma das alternativas utilizadas pelo treinador foi a adoção de um esquema com três atacantes.
Yuri Alberto, Memphis e Garro vivem momentos diferentes
As principais referências do setor ofensivo não conseguiram repetir o protagonismo apresentado em 2024. Naquela temporada, Rodrigo Garro, Yuri Alberto e Memphis Depay formaram o trio que conduziu o Corinthians na reta final do Campeonato Brasileiro e ajudou o clube a alcançar a Copa do Brasil e a fase preliminar da Libertadores.
Em 2026, porém, lesões e problemas físicos reduziram a participação dos dois atacantes. Memphis é desfalque diante do Mirassol por causa de um edema muscular no bíceps femoral da coxa direita. O holandês disputou 14 partidas do Brasileirão e marcou apenas um gol. A ausência do camisa 10 preocupa para a sequência, como já havia sido destacado em atualização sobre sua recuperação.
Yuri Alberto também está distante do rendimento que apresentou em outras temporadas. O centroavante marcou quatro vezes em 21 jogos pelo campeonato. Em 2024, havia terminado como artilheiro da competição, com 15 gols. A queda na produção do camisa 9 reduziu o poder de decisão de um jogador que, em momentos anteriores, era uma das principais fontes de gols do time.
Garro apresenta os números mais consistentes entre os três principais nomes do ataque, mas ainda não foi capaz de conduzir o Corinthians para fora da parte inferior da tabela. O argentino soma nove participações em gols no Brasileirão, sendo seis assistências e três gols, em 29 partidas.
Meio-campo tenta compensar os atacantes
Diante da produção abaixo do esperado dos homens de frente, os meio-campistas passaram a ter peso maior na construção dos resultados. Dos 34 gols corintianos no campeonato, 38% foram marcados por armadores e volantes.
O principal destaque é André, com quatro gols. Convocado por Carlo Ancelotti para a seleção brasileira, o volante divide a artilharia do Corinthians no Brasileirão com Yuri Alberto, Matheus Bidu e Gustavo Henrique. O dado mostra como o time tem dependido de jogadores de outras funções para encontrar o caminho das redes.
Os defensores também contribuíram de maneira relevante, embora isso não seja suficiente para compensar as limitações do ataque. Zagueiros e laterais marcaram seis gols cada, o equivalente a 17% da produção ofensiva em cada grupo.
Sequência aumenta pressão na luta contra a queda
Além do problema para marcar, o Corinthians atravessa uma sequência negativa que agravou o risco de rebaixamento. São dez rodadas sem vitória no Campeonato Brasileiro, com nove derrotas e um empate, segundo o levantamento apresentado pelas fontes. O último triunfo ocorreu em 9 de agosto, contra o Red Bull Bragantino, pela 22ª rodada.
No segundo turno, a campanha também alcançou uma marca negativa. Com seis pontos conquistados em 13 partidas, o Corinthians igualou o pior desempenho de um turno desde que a Série A passou a ter 20 clubes, marca registrada pelo Juventude em 2022. Naquele ano, a equipe gaúcha terminou o returno com seis pontos e acabou rebaixada.
A comparação não determina o desfecho da atual competição, mas ajuda a dimensionar a urgência do momento. O Corinthians ainda tem seis rodadas para melhorar sua pontuação e evitar a queda. Está dois pontos atrás do Internacional, primeiro time fora da zona de rebaixamento, de acordo com o material apurado.
O duelo com o Mirassol ganhou peso justamente porque o adversário também está envolvido na disputa pela permanência na primeira divisão. Depois, o Corinthians enfrentará o São Paulo, em seu último compromisso antes da pausa para a Data Fifa. A equipe precisa reagir, e a melhora no aproveitamento das chances aparece como uma das condições centrais para que o trabalho de Seedorf produza efeito.
Enquanto Memphis será ausência confirmada por causa do problema muscular, Garro, Yuri Alberto e os demais jogadores ofensivos terão a responsabilidade de elevar a produção. Sem uma resposta na frente, o Corinthians corre o risco de continuar dependendo de gols de volantes, laterais e zagueiros em uma reta final na qual cada ponto pode ser decisivo.