Seedorf pede foco no trabalho e minimiza rumores de conflitos no elenco do Corinthians.Foto: Reprodução da Internet
Clarence Seedorf interrompeu uma pergunta dirigida a Rodrigo Garro durante a entrevista coletiva do Corinthians nesta quinta-feira (29) e voltou a negar a existência de problemas entre os jogadores. O treinador demonstrou incômodo com a repetição do tema e pediu que a cobertura se concentre no treinamento, no desempenho da equipe e no confronto com o Mirassol.
Garro era questionado sobre críticas ao seu comportamento dentro do clube quando Seedorf tomou a palavra. O técnico afirmou que já havia escutado a mesma abordagem várias vezes desde sua chegada e disse que não aceitaria que fossem criados conflitos que, segundo ele, não fazem parte da realidade do grupo.
“Em duas semanas, ouvi essa pergunta várias vezes. Já deu. Tem que respeitar a resposta. Não tem problema nenhum entre os jogadores aqui. Não vamos criar coisas que não existem”, declarou o comandante. Na sequência, Seedorf orientou os jornalistas a fazerem perguntas sobre o jogo, o trabalho diário e a preparação do time.
Garro e Gustavo Henrique respondem às críticas
Depois da intervenção do treinador, Garro voltou a falar sobre o assunto. O meia argentino afirmou que não costuma acompanhar as notícias a seu respeito e disse ter tomado conhecimento das críticas por meio de brincadeiras feitas por companheiros no vestiário.
O jogador reconheceu que não considera necessário transformar sua personalidade no centro da discussão. Garro afirmou que as pessoas que convivem com ele, dentro e fora do Corinthians, conhecem seu caráter, seu compromisso e o carinho que mantém pelo clube e pela torcida.
“Quem me conhece aqui e fora sabe que classe de pessoa eu sou e quanto quero esse clube e brigo. Faz três anos que estou aqui”, afirmou o meia. Ele também mencionou a identificação construída com o Corinthians e indicou que, neste momento, falar sobre sua imagem pessoal não deveria se sobrepor à preparação para a partida.
Gustavo Henrique também saiu em defesa do companheiro. O zagueiro classificou Garro como uma pessoa correta, positiva e líder, além de dizer que as notícias com ataques pessoais incomodam os atletas porque o elenco conhece a postura do argentino no cotidiano.
“Garro é uma pessoa do bem”, declarou Gustavo Henrique. O defensor pediu que o grupo permaneça unido e evite dar atenção a críticas que não contribuam para a reação esportiva do Corinthians.
Seedorf minimiza vazamentos no clube
O treinador também foi questionado sobre informações que circulam a respeito dos bastidores do Corinthians. Seedorf reconheceu que vazamentos são comuns no futebol, mas avaliou que dedicar energia a esse tipo de assunto não ajuda a comissão técnica nem os jogadores.
Segundo o técnico, a equipe precisa concentrar esforços nas situações que estão sob seu controle. Ele citou o acesso ao vestiário e às reuniões internas como exemplos de áreas que podem ser administradas pela comissão, enquanto as informações divulgadas externamente não fazem parte de sua alçada.
“Minha filosofia é que posso ser apenas incomodado por aquilo a que dou atenção, e não dou atenção a isso. Vazamento no futebol é uma coisa muito comum, é uma perda de tempo dar atenção a isso”, afirmou Seedorf, em declaração reproduzida pelo Lance!. O treinador acrescentou que o grupo estava unido antes mesmo de sua chegada.
Seedorf reconheceu que os resultados obtidos desde o início de seu trabalho ficaram abaixo do esperado. Apesar disso, afirmou perceber evolução no dia a dia, aumento da confiança e união entre os jogadores. Para o técnico, o desempenho apresentado em alguns momentos, mesmo sem vitórias, não pode eliminar a confiança necessária para a equipe reagir.
“Estou vendo um grupo que cresceu muito, está mais confiante e unido. O trabalho paga, eu acredito nisso”, disse. O comandante também ressaltou que a obrigação imediata é buscar a vitória, sem tratar o resultado positivo como uma possibilidade secundária.
Corinthians encara o Mirassol sob pressão
O Corinthians está na zona de rebaixamento e enfrenta o Mirassol nesta sexta-feira (30), às 20h. A partida será a primeira de Seedorf à beira do campo na Neo Química Arena, o que aumenta a expectativa em torno da resposta da equipe diante da torcida.
Gustavo Henrique definiu o confronto como uma das seis finais que o Corinthians ainda terá pela frente na luta contra a queda. O zagueiro reforçou a necessidade de conquistar os três pontos e pediu apoio dos torcedores durante um momento considerado difícil para o clube.
“Sabemos da situação em que se encontra, o que representa o jogo. São mais seis finais, precisamos do resultado positivo, dos três pontos diante do nosso torcedor”, afirmou o defensor.
O discurso do elenco também passou pelo controle emocional. Gustavo Henrique defendeu uma rotina mais cuidadosa de descanso, alimentação e treinamento, além de recomendar que os jogadores reduzam a exposição às redes sociais. Na avaliação do zagueiro, a equipe precisa lidar com as críticas pertinentes, mas evitar que fatores externos desviem a atenção do objetivo principal.
Garro, por sua vez, reconheceu que atravessa um período de cobrança e citou a necessidade de autocrítica. O meia comentou questionamentos relacionados a cartões e decisões tomadas durante as partidas, afirmando que tenta encontrar o companheiro melhor posicionado quando finaliza ou participa das jogadas.
O argentino também disse que tem a oportunidade de aprender com Seedorf, ex-jogador que atuava em posição semelhante. A relação entre os dois foi apresentada pelo próprio Garro como uma possibilidade de evolução dentro do trabalho, sem que o meia deixasse de reconhecer a responsabilidade pelas próprias atuações.
Foco exclusivo no próximo jogo
Seedorf afirmou que eventuais conversas sobre outras situações do elenco serão realizadas depois do compromisso contra o Mirassol. O treinador foi questionado sobre a possibilidade de discutir a liberação de jogadores caso algum deles seja convocado por Carlo Ancelotti, mas respondeu que o tema ainda não havia sido tratado.
O técnico preferiu manter a atenção concentrada na partida desta sexta-feira. A orientação dada ao elenco é deixar questões externas em segundo plano e buscar uma resposta dentro de campo, em um confronto que pode influenciar a luta do Corinthians contra o rebaixamento.
A tentativa de blindagem ocorre em um ambiente de pressão esportiva e cobrança pública. Em episódio anterior, Seedorf já havia feito uma cobrança relacionada ao momento do Corinthians. Agora, ao defender Garro e minimizar os vazamentos, o treinador reforça a estratégia de preservar o grupo antes da estreia na Neo Química Arena.
O resultado contra o Mirassol será a primeira resposta de Seedorf no estádio corintiano. Até lá, o treinador tenta afastar a discussão sobre conflitos internos, enquanto os jogadores sustentam publicamente a união do elenco e a necessidade de transformar o discurso em desempenho e pontos no Campeonato Brasileiro.